Dia Mundial da Obesidade - 4 de março - 600 x 450

Em entrevista ao Conselho Federal de Odontologia (CFO), a cirurgiã-dentista Joana Ramos-Jorge, doutora em Odontologia (área de concentração de Odontopediatria), evidencia a necessidade de cuidados específicos com a saúde bucal de pacientes obesos. Para ela, a obesidade é uma condição de caráter crônico e multifatorial que requer olhar atento aos agravos bucais.

Segundo a professora, o excesso de peso está associado ao surgimento de problemas bucais, a exemplo da periodontite, que é a inflamação nas gengivas, ossos e ligamentos que dão sustentação aos dentes, e do traumatismo dentário, mais comum em crianças pré-escolares. Além da possibilidade de associação entre a obesidade e agravos bucais por meio dos fatores comuns de risco, é preciso considerar os agravos bucais como “consequência” da obesidade.

Dia Mundial da Obesidade - 04.03

Quais os principais cuidados que os profissionais de Odontologia devem ter com pacientes obesos?

Entre os principais cuidados, cabe ao cirurgião-dentista orientar o paciente a adotar maior regularidade às consultas Odontológicas. O tempo de intervalo depende da condição sistêmica de cada paciente, se comparado com a população não obesa, em que a recomendação para retorno é a cada seis meses, no caso de tratamento preventivo.

Pessoas obesas possuem maior prevalência de cárie dentária, doença periodontal e traumatismo dentário, gerados pela baixa imunidade do próprio organismo. Um exemplo comum a esse tipo de paciente é o consumo frequente de sacarose, que pode predispor tanto à obesidade quanto à cárie dentária e requer atenção específica do cirurgião-dentista, bem como da rotina alimentar integral do paciente.

Qual a avaliação clínica ideal de pessoas obesas?

É importante que o cirurgião-dentista considere a performance mastigatória do paciente, durante a avaliação clínica, para melhor compreender a carga de bactérias comuns em pessoas obesas. A atenção profissional deve abranger o ciclo mastigatório e a quantidade de ciclos de cada paciente por refeição. Uma estratégia muito utilizada é o consumo de goma de mascar ou de castanhas para avaliação da função mastigatória.

Após a inserção do alimento na boca, a língua o transporta da porção anterior para as superfícies dos dentes posteriores para que o alimento seja triturado através dos ciclos mastigatórios. Nesse processo, a amilase salivar age sobre o amido e as mucinas são responsáveis por unir as partículas em um bolo lubrificado, facilitando seu deslizamento pela faringe e esôfago sem danificá-los. Os passos seguintes da digestão serão tanto mais eficazes quanto mais completa for a mastigação. Consequentemente, uma função mastigatória prejudicada, seja pela ocorrência de cárie dentária, doença periodontal, disfunções temporomandibulares ou má-oclusões, pode impactar no quanto o alimento será triturado.

De que forma o cirurgião-dentista pode intensificar os cuidados bucais desses pacientes?

Por se tratar de uma condição de caráter crónico, o cirurgião-dentista deve trabalhar de forma multidisciplinar com outros profissionais da área da saúde, com olhar integrado, na condição de agente de saúde. Todas as informações são somativas para identificar o perfil clínico do paciente, como estilo de vida, hábitos deletérios (consumo de álcool e tabaco, entre outros), dieta diária, avaliação da função mastigatória e as condições de saúde bucal, são fundamentais para a atuação nesse sentido. A adoção de comportamentos saudáveis é capaz de prevenir doenças bucais, como a cárie e a periodontite. Uma rotina saudável previne problemas bucais e uma gama doenças não transmissíveis (DNTs), como diabetes tipo 2, hipertensão, acidente vascular cerebral, doenças cardiovasculares e várias formas de câncer.


Fonte: ASCOM  CFO
Em 04.03.2022