31 de Maio - Dia Mundial Sem Tabaco - 600 x 450


Neste 31 de maio, Dia Mundial Sem Tabaco, o CROGO quer incentivar os fumantes a cessarem com a prática do tabagismo, uma vez que são diversas as doenças causadas na cavidade oral pelo uso do tabaco. Entre elas, está o câncer de boca, a mais grave de todas, com 11.200 novos casos em homens e 4.010 em mulheres.

Em entrevista ao CROGO, a cirurgiã-dentista Dra. Nádia do Lago Costa, professora da disciplina Diagnóstico Bucal na Faculdade de Odontologia da Universidade Federal de Goiás (FO/UFG), fala sobre os inúmeros males causados na cavidade oral pela prática do tabagismo, inclusive pelo uso do cigarro eletrônico, bastante usado pelos jovens na atualidade.

A Dra. Nádia, que é mestre em Odontologia e doutora em Ciências da Saúde pela Faculdade de Medicina da UFG, também explica de que forma o tabagismo atua na cavidade oral.

Data
O Dia Mundial Sem Tabaco, 31 de maio, foi criado em 1987 pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para alertar sobre as doenças e mortes evitáveis relacionadas ao tabagismo.

O tabaco mata mais de 8 milhões de pessoas por ano, no mundo. Estudos científicos publicados este ano mostram que os fumantes têm maior risco de desenvolver doença grave e morte por COVID-19 do que não-fumantes.

Dra. Nádia - 450 x 600

CROGO - Quais as doenças causadas na cavidade oral pelo uso do tabaco (cigarros, charutos, cachimbos, narguilés e produtos feitos por rolos)?
Dra. Nádia do Lago Costa - As principais doenças causadas pelo uso do tabaco são as lesões potencialmente malignas (leucoplasia e eritroplasia), o câncer de boca e a doença periodontal. Mas ele também causa a halitose (mau hálito) e pigmentação dos dentes. Além disso, o uso do tabaco aumenta o risco de infecções bacterianas e fúngicas na cavidade oral.


CROGO - Qual seria a doença mais grave na cavidade oral causada pelo uso do tabaco?
Dra. Nádia Costa - Dentre todas as doenças causadas pelo hábito do tabagismo em cavidade oral, o câncer de boca é a mais grave delas. Câncer de boca é uma denominação genérica para as neoplasias malignas, mas refere-se, principalmente ao carcinoma espinocelular (CEC), pois representa 95% delas. O tabagismo aumenta em até oito vezes a chance de um indivíduo ter câncer na cavidade oral em comparação com um indivíduo que não fuma.

Segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA), o número de casos novos de câncer da cavidade oral esperados para o Brasil para 2022 será de 11.200 casos em homens e de 4.010 em mulheres. Esses valores correspondem a um risco estimado de 10,70 casos novos a cada 100 mil homens, ocupando a quinta posição. Para as mulheres, corresponde a 3,71 para cada 100 mil mulheres, sendo a décima terceira mais frequente entre todos os cânceres. No Centro-Oeste o câncer de cavidade oral em homens é o quinto mais frequente no (8,94/100 mil) e o décimo terceiro para as mulheres (2,90/100 mil). Para o estado de Goiás a estimativa é de 360 casos em homens e 170 em mulheres em 2020.


CROGO - O uso do cigarro eletrônico, muito comum atualmente entre os jovens, causa malefícios na cavidade oral? Que tipo de malefícios?
Dra. Nádia Costa - Assim como o cigarro comum, o cigarro eletrônico é responsável pelas mesmas doenças que o cigarro comum, ou seja, lesões potencialmente malignas (leucoplasia e eritroplasia), o câncer de boca, doença periodontal, mas ele também tem efeito sobre os dentes, altera a microbiota oral e podem causar lesão traumática ou acidental pela explosão. Os e-cigarros expõem o organismo a uma grande quantidade de produtos gerados pelo próprio dispositivo (nanopartículas de metal) ou com o processo de aquecimento e vaporização, pois são ricos em carcinógenos e substâncias citotóxicas.


CROGO - De que forma o tabagismo atua na cavidade oral?
Dra. Nádia Costa - Através das diversas substâncias carcinogênicas, citotóxicas e um quadro de inflamação persistentes. As substâncias carcinogênicas agem sobrem o DNA das células que revestem a cavidade oral, essas células alteradas proliferam e desenvolvem o câncer de boca. Já as substâncias citotóxicas e inflamação causam efeitos deletérios a longo prazo, que colaboram com a perda óssea, com a diminuição da capacidade de cicatrização e defesa, ficando mais susceptível a ação de bactérias, fungos e vírus. Além disso, o cigarro também diminui a secreção salivar a qual é importante para proteção bucal e diminuição do risco de cárie.

CROGO – O tabaco pode causar complicações em pacientes acometidos pelo novo coronavírus? Que complicações seriam essas?
Dra. Nádia Costa - O tabagismo é considerado um fator de risco para a Covid-19. O quadro de inflamação persistente causada pelo hábito prejudica os mecanismos de defesa do organismo tornando-os mais susceptíveis ao risco de infecções por vírus, bactérias e fungos. Desta forma, os fumantes são acometidos com maior frequência por infecções do trato respiratórios, como as pneumonias. Além disso, o consumo do tabaco é a principal causa de câncer de pulmão e importante fator de risco para doença pulmonar obstrutiva crônica. Devido a um possível comprometimento da capacidade pulmonar, o fumante possui mais chances de desenvolver sintomas graves da doença.


CROGO – Qual o papel do cirurgião-dentista diante do impacto do tabagismo na saúde bucal?
Dra. Nádia Costa - O cirurgião-dentista pode fornecer informações importantes sobre o malefício do fumo e cuidados preventivos, explicando para o paciente sobre as consequências que ele já apresenta na boca em decorrência do consumo de tabaco. Além disso, o cirurgião-dentista pode contribuir com o abandono do hábito pelo fumante e encaminhar para tratamento multiprofissional. Importante destacar que o SUS disponibiliza tratamento gratuito para dependentes da nicotina.



Lucielle Bernardes
Assessora de Imprensa do CROGO
Em 31.05.2022