No dia 13 de setembro, Conselho chama a atenção para a saúde bucal como parte da assistência integral ao paciente hospitalizado e para a atuação do cirurgião-dentista na prevenção e controle de infecções
No Dia Mundial da Sepse, celebrado em 13 de setembro, o Conselho Regional de Odontologia de Goiás (CROGO), por meio de sua Câmara Técnica de Odontologia Hospitalar, chama a atenção para a importância da saúde bucal na assistência aos pacientes hospitalizados, especialmente aqueles em estado crítico.
A sepse é uma disfunção orgânica potencialmente fatal, desencadeada por uma resposta desregulada do organismo a uma infecção. Apesar de pulmões, trato urinário e abdômen estarem entre os focos infecciosos mais frequentemente associados à condição, a cavidade bucal também deve ser considerada na avaliação e nos cuidados prestados ao paciente internado.
De acordo com a presidente da Câmara Técnica de Odontologia Hospitalar do CROGO, Dra. Andréia Diniz Dias, infecções de origem odontogênica podem se disseminar e contribuir para o desenvolvimento de quadros infecciosos graves. Em pacientes críticos, outro fator merece atenção: o biofilme bucal pode ser colonizado por microrganismos respiratórios.
A aspiração de secreções contaminadas pode favorecer o aparecimento de pneumonia hospitalar e de pneumonia associada à ventilação mecânica, infecções que, em determinadas situações, podem evoluir para sepse.
Assistência odontológica na UTI
Evidências científicas reforçam a importância desse cuidado. Um ensaio clínico brasileiro, realizado com 254 pacientes internados em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), demonstrou que o atendimento realizado por cirurgião-dentista reduziu de 18,1% para 8,7% a incidência de infecções do trato respiratório inferior. A taxa de pneumonia associada à ventilação mecânica também apresentou redução, passando de 16,5 para 7,6 casos por mil dias de ventilação.
A presença do cirurgião-dentista na UTI, entretanto, vai muito além da realização da higiene bucal. O profissional é responsável por avaliar a cavidade oral, identificar e controlar possíveis focos infecciosos, tratar alterações bucais, estabelecer protocolos individualizados de cuidados, acompanhar sua execução e orientar e capacitar as equipes envolvidas na assistência diária aos pacientes.
Nesse contexto, a Odontologia Hospitalar integra as estratégias de prevenção e controle das infecções relacionadas à assistência à saúde. Ao atuar na redução de possíveis fontes de infecção e colaborar para a prevenção das pneumonias hospitalares, o cirurgião-dentista também contribui para o enfrentamento da sepse.
Neste 13 de setembro, o CROGO reforça uma mensagem fundamental: a boca faz parte do corpo, e a Odontologia deve fazer parte do cuidado hospitalar.
Lucielle Bernardes Assessora de Imprensa do CROGO Em 11/09/2026