
Os cirurgiões-dentistas que atuam na Odontologia para Pacientes com Necessidades Especiais (OPNE) foram muito impactados devido ao distanciamento social durante a pandemia da COVID-19. Consequentemente, grande parte desses pacientes ficou desassistida. É o que afirma a Dra. Francine do Couto Moreira, presidente da Câmara Técnica de Odontologia para Pacientes com Necessidades Especiais do CROGO, neste 21 de setembro, data em que se comemora o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência.
“Durante a pandemia da COVID-19, o distanciamento social foi bem impactante para quem atua na OPNE (Odontologia para Pacientes com Necessidades Especiais), pois precisamos estar perto do paciente, assisti-lo com frequência e passar segurança por meio do olhar, do tocar”, diz. “Além disso, com a paralisação dos serviços odontológicos, a maioria dos pacientes com necessidades odontológicas especiais ficou sem assistência”, revela.
De acordo com a especialista, no início da pandemia, a recomendação era a de que se atendesse apenas os pacientes em situações de urgência e emergência, além do fato desses pacientes se enquadrarem no grupo de risco para a doença provocada pela COVID-19. No entanto, um paciente com necessidades odontológicas especiais, principalmente aqueles com alterações adversas de comportamento ou com importantes comprometimentos sistêmicos devem ser mantidos em programas de prevenção, pois se os mesmos chegarem a apresentar focos infecciosos na cavidade bucal ou a um quadro de dor, podem ter sérias complicações.

Dra. Francine do Couto Moreira, presidente da Câmara Técnica de Odontologia
para Pacientes com Necessidades Especiais do CROGO
“Particularmente, acho até desumano e antiético aguardar o paciente estar em uma situação de dor para ser atendido. Essa Odontologia curativa deve ficar no passado. Nós precisamos promover saúde e, para isso, procedimentos de prevenção e educação em saúde não devem ser adiados”, critica. “Portanto, devem ser realizados de uma maneira diferente nos dias atuais”, acrescenta.
Na avaliação da Dra. Francine, pode-se lançar mão da teleorientação e do telemonitoramento dos pacientes, o que permite aos profissionais realizar orientações sobre a manutenção de uma boa saúde bucal e monitorar qual o momento mais oportuno para que esse paciente vá ao consultório, com o intuito de prevenir que ele chegue a uma situação de urgência.
Um bom exemplo são os pacientes em tratamento oncológico. “Sabemos que a mucosite oral é uma das consequências mais incapacitantes para estes pacientes, pois aumenta o risco de infecção, podendo evoluir para infecções sistêmicas graves, interferindo no tratamento e na sobrevida do paciente. Sabemos também que a terapia de fotobiomodulação (laserterapia) é fundamental na prevenção do surgimento e agravamento de mucosites. E aí? Então, eu devo aguardar que esse paciente sinta dor? Que ele chegue em um nível mais grave dessa condição para eu intervir? Não! Com certeza, não é essa a OPNE que realizamos.”
Para a Dra. Francine, é preciso buscar a humanização da Odontologia, em quaisquer circunstâncias. Para isso, é fundamental que sejam tomados os mesmos cuidados preconizados para a Odontologia de forma geral: utilização completa e correta de EPIs, desinfecção de superfícies, espaçamento maior entre os atendimentos, dentre outros.
“No geral, tudo se aplica à OPNE, mas por se tratar de pessoas com deficiência e grupos especiais, muitas vezes, vamos ter que ser flexíveis em algumas regras. Tem paciente que precisa ser acompanhado durante a consulta odontológica por dois ou três acompanhantes; tem paciente que não tolera o uso de máscara; o paciente cadeirante tem que ir com sua cadeira-de-rodas até ao lado da cadeira odontológica; tem paciente que necessita de uma intervenção em domicílio; outros pacientes necessitam de estabilização. Se pararmos para refletir, muitas outras situações nos levam a flexibilizar algumas regras gerais. Mas flexibilizar não quer dizer negligenciar. Na verdade, ao flexibilizar, criamos cuidados adicionais que vão ao encontro das necessidades dos nossos pacientes”, conclui.
Luta e renovação
O dia 21 de setembro foi escolhido como o Dia Nacional da Luta das Pessoas com Deficiência por ser uma data próxima ao início da Primavera, estação em que as flores preenchem as árvores. Esse acontecimento representa a luta e a renovação das pessoas com deficiência.
A data também coincide com o Dia da Árvore, que também pode representar a luta das pessoas com deficiência. Apesar de ter se tornado lei apenas em 2005, a celebração da data foi pensada pelo ativista por Cândido Pinto de Melo, no início da década de 80. Ele foi um dos fundadores do Movimento pelos Direitos das Pessoas Deficientes (MDPD), um grupo que se organizava para discutir intervenções e transformações na sociedade.
Fotos: Arquivo pessoal de Dra. Francine do Couto
Lucielle Bernardes
Assessora de Imprensa do CROGO
Em 21.09.2020
“Durante a pandemia da COVID-19, o distanciamento social foi bem impactante para quem atua na OPNE (Odontologia para Pacientes com Necessidades Especiais), pois precisamos estar perto do paciente, assisti-lo com frequência e passar segurança por meio do olhar, do tocar”, diz. “Além disso, com a paralisação dos serviços odontológicos, a maioria dos pacientes com necessidades odontológicas especiais ficou sem assistência”, revela.
De acordo com a especialista, no início da pandemia, a recomendação era a de que se atendesse apenas os pacientes em situações de urgência e emergência, além do fato desses pacientes se enquadrarem no grupo de risco para a doença provocada pela COVID-19. No entanto, um paciente com necessidades odontológicas especiais, principalmente aqueles com alterações adversas de comportamento ou com importantes comprometimentos sistêmicos devem ser mantidos em programas de prevenção, pois se os mesmos chegarem a apresentar focos infecciosos na cavidade bucal ou a um quadro de dor, podem ter sérias complicações.

Dra. Francine do Couto Moreira, presidente da Câmara Técnica de Odontologia
para Pacientes com Necessidades Especiais do CROGO
“Particularmente, acho até desumano e antiético aguardar o paciente estar em uma situação de dor para ser atendido. Essa Odontologia curativa deve ficar no passado. Nós precisamos promover saúde e, para isso, procedimentos de prevenção e educação em saúde não devem ser adiados”, critica. “Portanto, devem ser realizados de uma maneira diferente nos dias atuais”, acrescenta.
Na avaliação da Dra. Francine, pode-se lançar mão da teleorientação e do telemonitoramento dos pacientes, o que permite aos profissionais realizar orientações sobre a manutenção de uma boa saúde bucal e monitorar qual o momento mais oportuno para que esse paciente vá ao consultório, com o intuito de prevenir que ele chegue a uma situação de urgência.
Um bom exemplo são os pacientes em tratamento oncológico. “Sabemos que a mucosite oral é uma das consequências mais incapacitantes para estes pacientes, pois aumenta o risco de infecção, podendo evoluir para infecções sistêmicas graves, interferindo no tratamento e na sobrevida do paciente. Sabemos também que a terapia de fotobiomodulação (laserterapia) é fundamental na prevenção do surgimento e agravamento de mucosites. E aí? Então, eu devo aguardar que esse paciente sinta dor? Que ele chegue em um nível mais grave dessa condição para eu intervir? Não! Com certeza, não é essa a OPNE que realizamos.”
Para a Dra. Francine, é preciso buscar a humanização da Odontologia, em quaisquer circunstâncias. Para isso, é fundamental que sejam tomados os mesmos cuidados preconizados para a Odontologia de forma geral: utilização completa e correta de EPIs, desinfecção de superfícies, espaçamento maior entre os atendimentos, dentre outros.
“No geral, tudo se aplica à OPNE, mas por se tratar de pessoas com deficiência e grupos especiais, muitas vezes, vamos ter que ser flexíveis em algumas regras. Tem paciente que precisa ser acompanhado durante a consulta odontológica por dois ou três acompanhantes; tem paciente que não tolera o uso de máscara; o paciente cadeirante tem que ir com sua cadeira-de-rodas até ao lado da cadeira odontológica; tem paciente que necessita de uma intervenção em domicílio; outros pacientes necessitam de estabilização. Se pararmos para refletir, muitas outras situações nos levam a flexibilizar algumas regras gerais. Mas flexibilizar não quer dizer negligenciar. Na verdade, ao flexibilizar, criamos cuidados adicionais que vão ao encontro das necessidades dos nossos pacientes”, conclui.
Luta e renovação
O dia 21 de setembro foi escolhido como o Dia Nacional da Luta das Pessoas com Deficiência por ser uma data próxima ao início da Primavera, estação em que as flores preenchem as árvores. Esse acontecimento representa a luta e a renovação das pessoas com deficiência.
A data também coincide com o Dia da Árvore, que também pode representar a luta das pessoas com deficiência. Apesar de ter se tornado lei apenas em 2005, a celebração da data foi pensada pelo ativista por Cândido Pinto de Melo, no início da década de 80. Ele foi um dos fundadores do Movimento pelos Direitos das Pessoas Deficientes (MDPD), um grupo que se organizava para discutir intervenções e transformações na sociedade.
Fotos: Arquivo pessoal de Dra. Francine do Couto
Lucielle Bernardes
Assessora de Imprensa do CROGO
Em 21.09.2020




